O que se espera.

Outubro 26, 2009

Se os meus sonhos não chegassem tão perto do meu coração…

Quem diria pra eu ir além?

Viver é mais fácil quando se veste uma fantasia colorida.

E é conquistando menos e desejando mais,

Que o caminho fica mais cobiçado.

Vida tem um pé de saudade,

Pra levar a leveza das músicas que contam muitas de nossas histórias,

Do tempo que, por vezes, tentamos repetir.

O que nos espera, quase sempre está do lado de fora.

E só bate a porta o que já se trás dentro de si.

Por amor à Lira.

Abril 10, 2009

Está no brilho do olhar que se revela,

Nos olhos que oscilam entre o opaco e o fluorescente.

Aos cachos despencados de beleza,

Jacuabina em dourados, sobre céus azuis-lilás.

Pede desculpa à tristeza e sai para desapontá-la.

Levanta uma faixa em protesto à indelicadeza de sua origem.

Vai lavar na água do mar todos os maus sentimentos,

E trás pra casa versos e poesias.

Os indolentes desperdiçam toda a pureza,

E um dia hão de se arrepender,

Pois que ela ama aos diversos por serem diferentes.

E ama mais a si mesmo, por não parecer nem pouco com eles.

De toda sua essência o mais poético dos amores conscientes,

Minha Lira.

[Por amor à Lira, e para mesmo além do infinito que não existir, a nossa amizade]

A pergunta.

Abril 9, 2009

Eu tinha pressa em escrever.

Sentei-me em um banco sob o sol, e o lápis rabiscava rapidamente o papel borrão.

Queria lhe contar como foi o meu dia, dizer sobre . . .

“De cabeça baixa andava sem ver o que pela frente viria.

Parei no sinal e do outro lado, com um rosto pintado e mal vestido, um palhaço. Mas de que admirar-se, se um palhaço veste-se assim mesmo de trapos?

Este parecia ser humilde, quis acreditar.

Continuei e tive medo.

Tinha a intenção de passar ligeiramente, mas recebi um sorriso e parei pra ver o que ele tinha nas mãos. Eram cartões reciclados, postais pintados, e cheios de frases…

Rapidamente me respondeu antes que eu pudesse perguntar:

- São cartões! Permitem-nos publicar nossa arte. E o que arrecadamos com eles nos ajuda a levar alegria para crianças de entidades infantis.

Peguei nas mãos alguns, passei as figuras sem olhar as frases.

- Este! Inocência, ele disse.

Olhei o cartão na mão e vi a poesia.

- Você a tem?

- A inocência? Perguntei.

- Sim! Você a tem?

E era de não se esperar. Era. . . como algo que nunca se vai escutar de outras pessoas por aí. Quem se importaria? E me lembrei da espera que fiz por um pergunta como esta. Queria logo responder. Do seu espírito uma indagação honesta e que significava pra mim a mágica da pergunta certa.

Disse-lhe as palavras mais infinitas e incoerentes, atropeladas umas pelas outras:

- “Quem me dera ainda tê-la. Os meus dias não seriam assim tão frágeis. Pois que, quem ver mais com o bem, não percebe o horror que há por trás de cada intenção. E não vê muito além. E não vê que a vida não é feita apenas de alegrias. Mas depois que calejada está de desilusões, paga-se tudo pelo que se sebe sobre a verdade. Quem me dera ainda tê-la e assim as coisas seriam realmente melhores. Desabafei.”

- “As crianças estão sempre felizes, e os adultos não tem mais inocência.” Ouvi dele.

- Quanto custa?

- Não há preço, senhora, se apenas você levar. Vai custar o que você puder nos dar. Pode ser um sorriso.

Então tirei da minha bolsa todas as moedas que tinha.

Não olhei quanto, nem ele.

Vi as moedas caírem na cestinha junto com as outras, e se misturarem sem dizer quanto fui capaz de dar.

Ficou sem saber que o que paguei não era na intenção de lhe ajudar, eram pela diferença que ele fez em meu dia. Pela pergunta que um dia quis ter. E me neguei a pensar várias vezes que poderia ser uma besteira, uma bobagem. Mas se eu deixasse que aquele momento se fosse, sem o ter tratado com valor, O que do meu ‘eu’ teria pra contar, se sou tudo que observo, as coisas que me faz pensar e decidir ser, se sou tudo aquilo que admiro e que me faz igual por ser exemplar?

“- Multiplicar alegria!”, disse ele cumprindo seu papel.

A pergunta poderia ser outra, de mau gosto ou sei lá o que.

Mais foi esta.

A pergunta certa,

E a diferença de alguém que soube como os pequenos momentos podem mudar as pessoas.

Caminho sem chegada.

Abril 5, 2009

O que te faz pensar que vale a pena continuar é apenas a fé.

Por que na vida real nada pode comprovar o que te espera amanhã.

Sabe que essa é a única forma de viver. [Acreditando].

Mas mesmo assim, mesmo sabendo que tudo pode ser mera invenção, você pede pra continuar por que tudo que você conhece ou sabe é isso, e você gosta de viver.

Se você quer, então você arrisca.

Viver é apostar no amanhã.

E não há direito à reclamações…

É o que pagamos pra desfrutar dos momentos da vida.

Assim como uma troca de um jogo muito bem bolado, você não pode jamais voltar atrás.

Marcado por cada passo e palavras ditas, você torna-se o exterior, e nada do que você pensa e sente vai influenciar muito na sua vidraça.

Por fora os olhares vão condenado fala e linguagem corporal,

te deixando cair em rótulos.

Perguntam: – Qual é o real propósito de viver?

Se você tem fé, com toda certeza já deve ter formulado uma resposta e na ponta da língua vai me responder esta pergunta.

Inocentemente você criou algo maior.

E convencer não é seu ponto forte, por que não há provas pro agora.

Mas se ainda não inventou, não encontrou [resposta].

Não há nada além da nossa imaginação.

Tudo é pra nós apenas o que definimos com palavras.

E pode ser ou não termo real da definição do [porquê] da existência.

.

Se você quis um dia saber o que é o mundo,

Bem-vindos ao caminho sem chegada.

Descansar

Abril 5, 2009

Canto Dos Malditos Na Terra do Nunca

Eu quero descansar no teu peito
O cansaço dessa vida
E o peso de ter que ser alguém
Eu já não sei o que faço meu bem
Nem o que farei…

Mas se você quiser e vier
Pro que der e vier comigo
Eu posso ser o seu abrigo
Mas e se você não quiser
Eu posso ser um qualquer inimigo
Mas só quero que saiba meu bem…
Esteja sempre comigo…

Eu quero encontrar a minha paz
Que eu já não sei dos perigos
que essa vida me traz…
Só sei que a gente inventa amor,
e dor e tudo que nos satisfaz…

E se você quiser e vier
Pro que der e vier comigo
Eu posso ser o seu abrigo
Mas e se você não quiser
Me nego à todo e qualquer castigo…
Mas só quero que saiba meu bem…
Te levo sempre comigo…

[Excelente letra do CMTN, merecia estar aqui no - conta'gotas de filosofia.]

Fechei os olhos.

Minha boca calou as palavras vazias e assustadas.

Lentamente meu corpo se joga pra frente.

Um peso forte, um espasmo, um sintoma de se esvair.

Vagarosamente o tempo vai parando, pedindo que eu aproveite aqueles segundos, mesmo que tristes.

A minha vida se engrandece, e não há tempo para perder.

Não á mais tempo para ganhar.

‘Não há tempo!.

Flashes lá fora, acedem e apagam as imagens da minha retina.

Na minha mente as palavras que quis dizer à muita gente, e quis agradecer.

Mergulhada nas memórias me despeço do meu passado, por enquanto que ainda o tenho.

O presente vai acabando pra mim.

E com o maior desgosto de não ter dito quem eu sou e por que sou,

De não ter gritado pra os quatro cantos do mundo.

De não ter riscado o chão como Amilie Poulain.

De não ter tomado chá com os amigos, às 5 da tarde.

De não ter procurado um amor.

E quando eu acabar. . .

Na minha memória, nas marcas do meu corpo, nada, nada vai ficar.

Finalizar sem deixa que eles saibam, desumanamente, que os amo.

E me livro do choro deles, e inicio a minha angústia eterna.

O carro vai se chocar contra a parede, a respiração sufoca as minhas veias.

Não tenho mais forças.

Acalmo-me.

Perdi a consciência.

Perdi o medo.

Não tenho mais gostos.

Não me tenho.

Não existo.

Morro.